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15:36

Muito Mais Do Que Trigo - Farinha de Quinoa, uma tarte salgada e umas bolachas sem glúten

Muito Mais Do Que Trigo - Farinha de Quinoa, uma tarte salgada e umas bolachas sem glúten
Esta semana vamos falar da farinha de quinoa. Quinoa, o alimento saudável mais conhecido do mundo (acho justo chamar-lhe assim), geralmente é usada em saladas, sopas, mas também a podem moer e fazer uma farinha fina, sendo uma alternativa bem saudável para quem quer evitar o glúten.

Eu confesso não ser a maior fã da quinoa devido ao seu sabor forte e chega-me a mesmo a fazer lembrar um pouco o sabor da beterraba. Contudo, misturada com outros sabores, torna a comida bem mais saborosa.

A tarte que apresentarei mais à frente, não sabe de todo a quinoa. Fica um bocadinho folhada e muito saborosa, tem vantagem de não ter glúten, usei natas de arroz para diminuir a quantidade de gordura e é bastante saciante.

Depois do salgados vêm os doces, e por doces, entenda-se uns biscotti sem glúten, sem açúcar refinado e sem lacticíneos. Mas não pensem que sabem a palha, nada disso, são bem saborosas, crocantes e uma excelente prenda de Natal para aquele amigo que tem de evitar alimentos com glúten.



O que é a quinoa?

A quinoa é uma planta com mais de 7 mil anos, originária das regiões montanhosas da América do Sul. É costume chamarem-lhe um grão ancestral, na realidade não é um grão, mas sim uma semente.

Depois de se tornar uma moda a nível mundial, a quinoa foi rechonhecida pelas Nações Unidas como um dos alimentos que pode ajudar a erradicar a fome, malnutrição e pobreza.

Conhecida pelos Incas, a quinoa ou chisiya (mother grain), como lhe chamavam, era presença obrigatória em cerimónias religiosas e na alimentação do dia a dia.

Com o aparecimento daa dieta Paleo e outros estilos de vida que encorajam a eliminação do glúten, a quinoa tornou-se uma moda crescente na última década.

Existem 3 tipos de quinoa:

  • quinoa branca - a mais conhecida e comercializada, coze em menos tempo.
  • quinoa vermelha - ideal para saladas frias.
  • quinoa preta - com um sabor mais doce, leva mais tempo a cozinhar.

Quais as vantagens de consumir quinoa?

Para além da vantagem óbvia de não ter glúten, a quinoa tem muito mais para nos dar. 180g de quinoa fornecem:
  • 8g de proteína
  • 5g de fibra
  • 58% da ddr de manganês
  • 30% da ddr de magnésio
  • 28% da ddr de fósforo
  • 19% da ddr de folato
  • 18% da ddr de cobre
  • 15% da ddr de ferro
  • 13% da ddr de zinco
  • 9% da ddr de potássio
  • acima de 10% da ddr de vitaminas B1, B2 e B6
  • pequenas quantidades de cálcio, niacina e vitamina E
  • pequenas quantidades de omega 3
  • 222 calorias
  • 39g de hidratos de carbono
  • 4g de lípidos
A acrescentar a esta lista temos também o facto da quinoa ser rica em antioxidantes, que todos sabem que ajuda a combater doenças como o cancro e combate também o envelhecimento.
A fibra presente na quinoa contribui para diminuição de peso e para a diminuição dos níveis de açúcar e de colesterol no sangue, e o índice glicémico desta semente é baixo.

A principal particularidade da quinoa é o facto de ter todos os aminoácidos essenciais, isto é, contém todos os aminoácidos que não conseguimos produzir sozinhos e que temos de obter através da alimentação. 

Dicas e conselhos


Apesar de ter apresentado uma série de qualidades maravilhosas da quinoa, queria também salientar um facto. A quinoa é rica em ácido fítico que promove a agregação do magnésio, potássio e o zinco entre si. Ora essa agregação dificulta a absorção destes minerais. Para que isto não aconteça, deve-se colocar a quinoa de molho ou germiná-la antes de a cozer. Isto aplica-se à semente, quanto à farinha o problema mantém-se. Eu ainda não experimentei por a quinoa de molho antes de a moer no robot de cozinha e nem sei se resulta, por isso se souberem como se faz digam-me.

Substituir totalmente a farinha de trigo pela de quinoa pode não resultar bem, mas isto não quer dizer que seja impossível. Tal como em todas as farinhas sem glúten, os bolos, e bolachas que se façam exclusivamente com esta farinha, podem resultar em produto que se esfarela com facilidade. Para contrariar isso, podem usar goma de xantana e/ou misturar com outras farinhas como a de arroz.

O ideal é substituir 1/4 a metade da quantidade de trigo pela de quinoa, isto é, se não tiverem problemas com a ingestão de glúten e se quiserem apenas cozinhar de forma mais saudável.



TARTE DE ALHO FRANCÊS E COUVES DE BRUXELAS E QUEIJO FETA



Ingredientes:

para a base da tarte:

2/3 de copo de farinha de arroz
1/3 de copo de farinha de quinoa
1/4 de amido de milho
1 pitada de sal
pimenta
1 colher de sobremesa de folhas de alecrim picadas
2 raminhos de tomilho fresco
115g de manteiga ou margarina gelada em cubos
6 colheres de sopa de água gelada


para o recheio:

1 alho francês grande
2 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de açúcar amarelo
1 colher de sopa de vinagre de figo (ou outro à vossa escolha, de preferência tinto)
200g de couves de Bruxelas cortadas em juliana
1 colher de sobremesa de azeite
sal e pimenta
250ml de natas de arroz
4 ovos
2 colheres de sopa de queijo feta esfarelado
50g de nozes Frutos de Vettonia picadas


Preparação:

para a base da tarte:
Colaca-se a farinha de arroz, de quinoa, o amido de milho, o sal e a pimenta, as folhas de alecrim picadas e as folhas de tomilho numa picadora grande. Pulsa-se até ficar uma mistura homogénea.

Junta-se um cubo de manteiga gelada de cada vez e vai-se pulsando até toda a manteiga estar adicionada e a mistura ter uma aspecto de areia.

Colocar uma colher de sopa de água gelada de cada vez, pulsando entre cada adição, até que ao se apertar a massa ela se mantenha junta. Não vai formar uma bola, por isso temos de mexer na massa para ver se já está pronta. Cuidado para a massa não ficar demasiado molhada.

Forma-se um disco, cobre-se com película aderente e leva-se ao frigorífico durante 30 minutos.

Pré-aquecer o forno a 200ºC.

Untar levemente uma forma com manteiga ou margarina e aplicar a massa com a ajuda das mãos. É difícil estender esta massa, e achei mais fácil esticá-la dentro da forma com a ajuda de um copo. Não deixar a massa demasiado fina. Levar ao frigorífico mais 30 minutos.

Pica-se o fundo da massa com um garfo e leva-se ao forno, 20 minutos coberta com papel vegetal e feijões, e depois mais 15 minutos, ou até ficar dourada.

NOTA: nesta tarte eu cozi-a primeiro, mas noutras situações também resulta ser usada sem ser cozida primeiro.


para o recheio:

Aquece-se uma frigideira com 2 colheres de sopa de azeite e salteia-se o alho francês em rodelas até ficar macio. 

Polvilha-se com o açúcar e rega-se com o vinagre, mexe-se e deixa-se caramelizar durante 2 minutos. Reserva-se.

Aquece-se uma frigideira com 1 colher de sopa de azeite e salteiam-se as couves de Bruxelas cortadas em juliana com a ajuda de uma mandolina. Tempera-se com sal e pimenta.

Quando estiverem macias, retiram-se do lume.

montagem da tarte:


Coloca-se o alho francês caramelizado no fundo da tarte, cobre-se com a couve de Bruxelas e distribui-se as nozes picadas pela tarte.

Batem-se os ovos com as natas de arroz, tempera-se com um pouquinho de sal e pimenta e transfere-se para a tarte.

Polvilha-se com o queijo feta e leva-se ao forno pré-aquecido a 200ºC durante 40 minutos ou até o centro estar fixo e cozido.



BISCOTTI DE MIRTILOS E AMÊNDOA




Ingredientes:

220g de farinha de quinoa
1 colher de café de goma de xantana (opcional)
1 colher de chá de fermento em pó
70g de mirtilos secos
50g de amêndoa laminada
60ml de azeite
115g de açúcar de coco
2 ovos
2 colheres de chá de essência de baunilha


Preparação:

Pré-aquecer o forno a 150ºC. Forrar um tabuleiro com papel vegetal.

Misturar numa tigela a farinha de quinoa, a goma de xantana, o fermento, os mirtilos secos e as amêndoas laminadas. Mistura-se e reserva-se.

Noutra tigela batem-se com ovos com o açúcar de coco, o azeite e a essência de baunilha.

Adiciona-se esta mistura à farinha e mistura-se até estar completamente envolvido.

Transfere-se a massa para o tabuleiro forrado e forma-se um rectângulo com 2 cm de altura e 8 de largura.

Leva-se ao forno durante 30 minutos.

Retira-se do forno e deixa-se repousar até se conseguir mexer no bolo.

Cortam-se fatias em viés e colocar no tabuleiro.

Levam-se ao forno uma segunda vez, durante 30 minutos.

Retiram-se do tabuleiro e deixam-se arrefecer em cima de uma rede. Guardar num recipiente hermético ou oferecer a uma pessoa especial.



00:54

Muito Mais Do Que Trigo - Farinha de Castanha, um bolo e bolachas para comemorar o Dia de São Martinho

Muito Mais Do Que Trigo - Farinha de Castanha, um bolo e bolachas para comemorar o Dia de São Martinho
Eis que hoje é Dia de São Martinho e para comemorar este dia, achei apropriado falar da farinha de castanha. Esta farinha deliciosa faz bolos, bolachas e pães fantásticos! Eu adoro e estou certa que todos vocês vão também adorar a farinha de castanha depois de lerem todas as vantagens de consumir esta farinha.


O que é a farinha de castanha?


A castanha pertence ao género Castanea. Existem 4 espécies, a europeia, a chinesa, a japonesa e a americana. Estas espécies são muito diferentes entre si.

A castanha é um fruto sazonal, mas hoje em dia pode ser comprada  nas suas várias formas durante todo o ano. A farinha de castanha é muito versátil e pode ser usada em pratos doces ou salgados.


Quais os benefícios de consumir farinha de castanha?

Esta é uma farinha com elevado valor energético e com baixo teor de gordura. É rica em vitaminas C e B. É também rica em fibras, manganês e cobre. Não se assustem com o cobre, em doses moderadas é bom para a nossa saúde. Mas não vão agora por peças de cobre na boca!

Vamos lá então ver a lista de benefícios:
  • Fortalece o dentes e os ossos;
  • Fortalece o sistema imunitário;
  • Ajuda a controlar os níveis de colesterol;
  • É rico em antioxidantes, por isso ajuda a proteger contra doenças como o cancro;
  • Promove o bom funcionamente da tiróide
  • Facilita a digestão;
  • Ajuda a perder peso e melhora o trânsito intestinal;
  • É rico em minerais e vitaminas essenciais para o bom desenvolvimento do bebé;
  • Ajuda a diminuir o risco de doenças cardiovasculares;
  • Ajuda a prevenir e a combater a anemia;
  • Previne a formação de pedras nos rins e na vesícula;
  • Tem propriedades anti-inflamatórias.
O que esperam para ir comprar farinha de castanha?! Esperam pelas dicas e pelas receitas eu sei! heheheh


Como usar a farinha de castanha?

A farinha de castanha é perfeita para bolos, muffins, bolachas, panquecas, massas e pão. E as boas notícias para os celíacos é que esta farinha não tem glúten! Outra vantagem desta farinha é o facto dos bolos não se esfarelarem tanto, apesar da ausência de glúten, por isso dispensa o uso de goma de xantana para ligar a massa.

É uma farinha ligeiramente acastanhada e adocicada e cria polmes com a mesma textura da farinha de trigo, sem ser preciso grandes mudanças, como acontece com a farinha de coco. Visto ter um sabor mais forte do que a farinha de trigo, podem usar em conjugação com farinhas como a de arroz, coco, ou amêndoa.

Aconselho que substituam pequenas porções de farinha de trigo pela de castanha e vão-se habituando ao sabor e à textura leve que confere aos bolos, e a partir daí é deixar a imaginação criar bolos deliciosos!





BOLO DE CASTANHA E FRUTOS SECOS

Ingredientes:

170g de farinha de castanha
85g de açúcar
1 colher de sopa de fermento em pó
2 colheres de sopa de cacau
120ml de azeite
30 ml de mel
2 ovos médios
240ml de leite
70g de amêndoas
80g de nozes
mel para cobrir o bolo


Preparação:

Untar uma forma redonda de 20cm de diâmetro e polvilhar com farinha de castanha.

Pré-aquecer o forno a 180ºC.

Peneirar a farinha, o açúcar, o fermento em pó e o cacau para dentro de uma tigela larga para eliminar qualquer grumo que possa existir.

À parte misturar o azeite com o mel, os ovos e o leite.

Adicionar à mistura de farinha e mexer com uma vara de arames até a massa estar suave e ligeiramente líquida.

Adicionar as nozes e metade das amêndoas e envolver.

Tranferir a massa do bolo para a forma e polvilhar com as restantes amêndoas.

Levar ao forno durante 35 minutos, ou até ficar ligeiramente rachado em cima e quando se espetar o palito no centro, este sair seco.

Retirar do forno, transferir para um prato e regar com mel.







BOLACHAS DE CHOCOLATE

Ingredientes (20 bolachas):

85g de farinha de castanha
35g de farinha de arroz
2 colheres de sopa de amido de milho
2 colheres de sopa de cacau
50g de açúcar amarelo
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
60g de manteiga com sal (gelada)
2 colheres de sopa de mel
2 colheres de sopa de leite
1 colher de chá de essência de baunilha
açúcar para polvilhar as bolachas


Preparação:

Peneirar para uma tigela a farinha de castanha, de arroz, o amido de milho e o cacau.

Junta-se o açúcar amarelo, o bicarbonato de sódio e mistura-se com uma vara de arames.

Junta-se a manteiga gelada em cubos e amassa-se rapidamente com os dedos até se obter uma espécie de areia.

Adiciona-se o mel, o leite e a baunilha.

Mistura-se rapidamente e faz-se uma bola.

Numa bancada limpa e polvilhada com farinha de arroz, estende-se a massa com a ajuda de um rolo até ter cerca de 4mm de altura.

Corta-se em quadrados e fazem-se furos com a ajuda de um garfo para que coza uniformemente.

Transferem-se as bolachas para um tabuleiro forrado com papel vegetal e polvilham-se com açúcar.

Enquanto se aquece o forno a 180ºC, levam-se os tabuleiros de bolachas ao frigorífico para a manteiga voltar a gelar.

Cozem-se as bolachas durante 12 minutos, ou até começarem a ficar mais escuras nas bordas.

Retiram-se do tabuleiro e deixam-se arrefecer numa rede.

Transferem-se num frasco hermético.



00:45

Muito Mais Do Que Trigo - Farinha de Arroz, um bolo saudável e o tradicional bolo de arroz

Muito Mais Do Que Trigo - Farinha de Arroz, um bolo saudável e o tradicional bolo de arroz
Quem nunca comeu um bolo de arroz? O mítico bolo de arroz! Pois é assim que começamos a falar da farinha de hoje. A farinha de arroz é usada para fazer bolos como o delicioso bolo de arroz, mas também para receitas salgadas como a massa de arroz, tão característica da cozinha oriental.

Em adição à apresentação da farinha de arroz, hoje trago-vos também uma receita de bolo de banana e o bolo de arroz. O bolo de banana é para quem quer fazer um bolo pequenino, saudável e também para quem quer evitar o glúten. O bolo de arroz, enfim, é para recordarmos a nossa infância, de quando íamos à pastelaria com os nossos pais e comiamos aquele bolo maravilhoso. Agora também o vão poder fazer em casa!




O que é a farinha de arroz?


A farinha de arroz consiste no resultado da moagem do bago do arroz. Pode ser do arroz branco ou do integral. Eu compro sempre do integral, pois gosto mais do sabor e porque o integral é melhor para a nossa saúde.

Quais os benefícios para a nossa saúde de cozinhar com farinha de arroz?


A farinha de arroz é rica em proteína e a farinha de arroz integral é rica em vitaminas do complexo B, pricipalmente se for farinha de arroz integral. A casca do arroz adiciona à farinha de arroz integral fibra, vitaminas e nutrientes com cálcio e zinco.

A farinha de arroz integral contém altos níveis de fibras insolúveis, essenciais para uma digestão eficiente e saudável. Ajuda também a diminuir os níveis de colesterol, equilibra os níveis de açúcar no sangue e estimula os movimentos peristálticos do intestino.

A substituição total ou parcial da farinha de trigo por farinha de arroz integral promove a sensação de saciedade e reduz a fome e ajuda também a prevenir doenças como a diverticulite, doenças do colon, diabetes do tipo 2 e hipertensão.

A farinha de arroz é uma excelente alternativa para os celíacos, pois não contém glúten.

Parecem-me razões suficientes para ter um pacote desta farinha na dispensa, não acham?!


Como usar a farinha de arroz?


A farinha de arroz funciona melhor quando usada com outras farinhas, como é o caso do bolo de arroz que se conjuga a farinha de arroz com a de trigo.

Ao fazerem um bolo apenas com farinha de arroz, este terá tendência para se desfazer um pouco e uma boa maneira de contrariar isso é adicionando goma de xantana. É normal que notem que ao fazer bolos com a farinha de arroz, a massa seja um bocadinho mais "peganhosa". No caso da receita que apresento em baixo do bolo de banana, apesar de ser feito só com farinha de arroz, a banana esmagada ajuda a ligar tudo e, por isso, não adicionei a goma de xantana. A quantidade de goma de xantana que devem usar é meia colher de chá por cada copo de 250ml de farinha de arroz.

O ideal é substituirem pequenas quantidades da farinha de trigo pela de arroz e tentarem perceber a melhor forma de conjugar as farinhas. Mas na minha experiência as que funcionam melhor é a farinha de espelta, a de aveia e a de trigo, em que substituímos uma parte da farinha total por uma porção de farinha de arroz.

A farinha de arroz branco é mais leve e produz bolos mais leves, já a farinha de arroz integral, produz bolos mais pesados e densos. Os bolos e bolachas feitos com farinha de arroz costumam precisar de um pouquinho mais de tempo a cozer e precisam também de mais líquido para fazer a massa.

Podem usar também a farinha de arroz para panar filetes ou bifes, tal como se usa a farinha de milho ou a de trigo. Também é boa para engrossar molhos e fazer papas para bebés.

Tal como disse antes, não substituam toda a quantidade de farinha de trigo pela de arroz, pois a probabilidade de resultar mal é grande. Substituam pequenas quantidades de cada vez.

Experimentem, divirtam-se e mostrem-me as vossas criações!







BOLO DE ARROZ
(RECEITA DA LA DOLCE RITA)

Ingredientes (para 12 bolos de arroz pequenos):

 180g de açúcar
3 ovos
100g de farinha de arroz
150g de farinha de trigo sem fermento
100ml de leite
150g de manteiga
1 colher de chá de fermento

Preparação:

Começa-se por pré-aquecer o forno a 180ºC.

Podem usar formas de bolos de arroz, formas de muffins ou fazer um bolo grande. Eu usei formas de muffins e forrei com pormas de papel. Usei uma forma de pudim individual, a qual foi forrada com um círculo de papel vegetal no fundo e uma tira rectangular à volta.

Bate-se a manteiga amolecida com o açúcar, até se obter uma mistura cremosa e fofa.

Juntam-se os ovos e bate-se.

Adicionam-se as farinhas e o fermento e envolve-se até se deixar de ver pedaços de farinha. Não mexer demais, senão os bolos ficam pesados.

Junta-se o leite e envolve-se até estar completamente incorporado.

Distribui-se pelas forminhas, ocupando até 3/4 de altura.

Polvilha-se cada bolo com uma colher de chá de açúcar.

Leva-se ao forno durante 15 minutos.

Depois de cozidos, retiram-se das formas metálicas e deixam-se arrefecer em cima de uma rede.






BOLO DE BANANA
(SEM GLÚTEN)

Ingredientes:

1 copo e 1/4 de farinha de arroz integral
1/4 de colher de chá de bicarbonato de sódio
1 pitada pequena de sal
3/4 de colher de chá de fermento para bolos
1/4 de colher de chá de canela
1 pitada de noz moscada
30g de nozes Frutos de Vettonia
40g de chocolate negro (sem açúcar)
1 ovo médio
3 bananas bem maduras
1/3 de copo de açúcar de coco
1 colher de chá de essência de baunilha
1/4 de copo de óleo de coco derretido
1/4 de copo de buttermilk

1 copo = 250ml


Preparação:

Aquecer o forno a 180ºC.

Untar uma forma pequena com óleo de coco e polvilhar com farinha de arroz.

Numa tigela misturar a farinha com o bicarbonato de sódio, o sal fino, o fermento para bolos, a canela, a noz moscada, as nozes picadas e o chocolate picado.

Noutra tigela esmagar as bananas e adicionar o ovo, o açúcar de coco, o óleo de coco e o buttermilk. Misturar.

Juntar a mistura de bananas esmagadas à farinha e misturar até a farinha estar totalmente envolvida.

Transferir a massa para a forma untada e polvilhada.

Levar ao forno durante 40 minutos. Testar com um palito, e quando sair seco, o bolo está pronto.





07:26

Muito Mais Do Que Trigo - Farinha de Kamut e duas receitas

Muito Mais Do Que Trigo - Farinha de Kamut e duas receitas
A farinha que hoje vos apresento é a farinha de Kamut. Mas antes de vos falar desta farinha, vou explicar porque cada vez mais evito a farinha de trigo branca e a reservo apenas para ocasiões especiais.

A farinha de trigo refinada é pobre em vitaminas e minerais. Todas as qualidades deste cereal foram deitadas fora quando o farelo foi retirado. Há mesmo farinhas às quais foram adicionados melhorantes, que são prejudiciais para a nossa saúde. A farinha de trigo refinada acaba por ser constituída principalmente por polissacarídeos (longas cadeias de moléculas de glucose), que ao serem ingeridos a sua energia será absorvida de forma rápida, e é exactamente o oposto do que queremos que aconteça.

A farinha de trigo refinada pode não ter um sabor doce, mas está associada aos mesmos problemas de quem consome demasiado açúcar:

  • risco de pressão alta, ataque de coração, obesidade, diabetes e colesterol alto;
  • risco de cancro e doenças inflamatórias como a artrite;
  • risco do aumento de gordura à volta do fígado, que leva a doenças hepáticas;
  • enfraquecimento do sistema imunitário;
  • fadiga, depressão, ansiedade e outros problemas de saúde.

Volto a dizer que não quero demonizar o trigo, apenas pretendo alertar para o risco do consumo excessivo deste cereal depois de refinado. Deve haver um equilíbrio e é prioritário aumentar o consumo de farinhas inteiras, com o farelo. Como o truque é diversificar, é interessante e benéfico para a nossa saúde experimentar cereais diferentes.




Com o passar dos séculos os trigo passou por vários processos de selecção que levou ao trigo actual. Em consequência dessa selecção, o gluten também sofreu alterações. E, segundo alguns cientistas, é por isso que hoje em dia há muito mais pessoas intolerantes ao gluten do que antigamente. Não, não é mania, há mesmo mais pessoas intolerantes a esta proteína.

Descobriu-se também que algumas pessoas intolerantes ao gluten do trigo, aceitam bem o gluten da espelta e do Kamut. Tanto a espelta como o Kamut são duas variedades ancestrais de trigo. Relativamente ao Kamut, que o seu verdadeiro nome é trigo khorosan e Kamut é uma marca comercial protegida e só pode ter este nome se for cultivado de forma sustentável e biológica.

Mas de onde vem este cereal? 

Foram encontrados grãos deste cereal dentro de pirâmides egípcias e a sua história recente começa exactamente em Portugal. Um militar americano, que estava destacado no nosso país, recebeu em 1949 uma carta de um amigo que lhe enviou alguns grãos que tinha encontrado numa pirâmide egípcia.

O militar enviou cerca de trinta grãos ao pai que estava na América, e este plantou-as. No espaço de 6 anos conseguiu aumentar o número de sementes e começaram a comercializá-lo com o nome de "Trigo do Rei Tut", que mais tarde foi esquecido.

Anos mais tarde, e já nos anos 80, um biólogo decidiu investir no kamut e iniciou a sua plantação seguindo rigorosos critérios para que o cereal fosse biológico (não gosto desta palavra! Claro que é orgânico, somos todos orgânicos!). Enfim, que fosse livre de pesticidas.

Foi assim que nos anos 90, este biólogo registou a marca Kamut, para garantir que este cereal nunca seria modificado e que nunca seria tratado com pesticidas. Hoje em dia o Kamut pode ser encontrado por todo o mundo.


O que é o Kamut?

O Kamut ou trigo khorosan é uma variedade de trigo, cujo grão tem o dobro do tamanho do trigo comum. Comparado com o trigo moderno, o Kamut contém mais proteína, aminoácidos, vitaminas e minerais, especialmente selénio, zinco e magnésio. É importante salientar que o Kamut contém gluten, embora tenha menos do que o trigo moderno.

A farinha de Kamut é uma fonte de proteína e fibra. Tem um toque macio e leve e o seu sabor é rico e amanteigado, que faz lembrar o sabor de frutos secos.

Como usar?


Ao utilizarem esta farinha para fazer pão, devem ter em consideração que é necessário amassar durante mais tempo para que o gluten se torne mais elástico, mas o pão nunca cresce tanto como quando feito com farinha branca de trigo. Absorve mais água, por isso devem adicioná-la à medida que for necessário para hidratar de forma correcta a massa e esta ficar macia.



O meu conselho é que comecem por substituir uma parte da farinha necessária para as panquecas, muffins ou pão, por farinha de kamut e começar a aumentar a partir daí, ou conjugar com farinha de espelta, cuja combinação resulta muito bem.

Espero ter ajudado com esta pequeno explicação. Caso tenham dúvidas não hesitem em contactar-me.

Apresento de seguida, duas receitas testadas por mim e que resultaram muito bem, tanto em termos de sabor, como em termos de textura. O pão quase desapareceu rapidamente assim que saiu do forno e no dia seguinte, a fatia da cerimónia que sobrou, ainda estava fofinha e o sabor não tinha alterado.
Os croissants, ficam fofinho por dentro e estaladiços por fora, com um sabor magnífico e docinhos. Tanto o pão, como os croissants não crescem muito como estamos habituados com o pão de trigo, por isso tenham isso em consideração quando moldarem a massa para ir ao forno.



PÃO DE KAMUT




Ingredientes:
500g de farinha de Kamut
2 colheres de chá de fermento para pão liofilizado
1 pitada de sal
2 colheres de sopa de azeite
350ml de água morna
1 colher de chá de açúcar


Preparação:

Começa-se por misturar a água morna com o açúcar e com o fermento. Deixa-se repousar 5 minutos, ou até começar a formar espuma.

Coloca-se a farinha de Kamut na tigela da batedeira, junta-se o azeite, o sal e a mistura de água e fermento. Amassa-se até a massa se descolar das paredes.


Transfere-se a massa para a bancada limpa e amassa-se por mais 5 minutos à mão. Coloca-se a massa numa forma borrifada com azeite, tapa-se e deixa-se levedar durante hora e meia ou até dobrar de volume (o tempo pode variar de acordo com a temperatura da vossa casa).




Ligar o forno a 240ºC.

Quando a massa estiver levedada, transfere-se para a bancada e molda-se o pão. Fazem-se uns cortes na parte superior da massa, tapa-se com película aderente untada e deixa-se levedar durante 20 minutos.


Ao fim desses 20 minutos, leva-se o pão ao forno. Ao fim de 10 minutos, baixa-se a temperatura para os 200ºC e deixa-se cozer o pão por mais 20 minutos, ou até estar dourado e fazer um som oco quando se bate na parte de baixo do pão.

Deixar arrefecer numa rede (se forem capazes! Eu não fui!).





CROISSANTS AMANTEIGADOS
DE KAMUT




Ingredientes:
600g de kamut
450ml de leite
40g de mel
70g de açúcar
2 colheres de chá de essência de baunilha
2,5 colheres de chá de fermento para pão (liofilizado)
1 pitada de sal
200g de manteiga sem sal


Preparação:

Dissolve-se o açúcar, o mel e o fermento no leite morno. Deixa-se repousar durante 5 minutos.

Entretanto coloca-se na batedeira a farinha com o sal e a essência de baunila.

Junta-se a mistura de leite e fermento e amassa-se tudo até a massa se descolar das paredes da tigela. (se a massa estiver muito dura, adicionar mais um pouco de leite morno, pouco de cada vez)

Tapa-se e deixa-se levedar durante 1 hora e meia, ou até dobrar de volume.

Com a manteiga faz-se um quadrado, entre duas folhas de papel vegetal, com 1cm de altura e coloca-se no frigorífico.

Quando a massa estiver pronta, estica-se com a ajuda do rolo da massa e faz-se um rectângulo grande.

Coloca-se a manteiga em cima da massa e dobram-se as extremidades da massa para que tapem a manteiga. Passa-se com o rolo, fazendo um novo rectângulo. Dobra-se novamente, estende-se e volta-se a dobrar. Embrulha-se em película aderente e leva-se a repousar durante 30 minutos.

Repete-se a operação mais 4 vezes. (assim vão ficar bocadinhos de manteiga sólida uniformemente distribuídas pela massa, que irão derreter quando forem ao forno, conferindo um sabor incrível aos croissants)

Deixa-se a massa repousar no frigorífico, embrulhada em película aderente, durante 2 horas (melhora o sabor).

Aquecer o forno a 180ºC.

Ao fim dessas 2 horas, retira-se do frigorífico, estica-se com o rolo até ter 1 cm de altura e formam-se 2 rectângulos compridos. Desses rectângulos cortam-se triângulos e enrolam-se (da extremidade mais larga para o bico) de forma a fazer um croissant.



Distribuem-se por 2 tabuleiros, tapam-se com um pano e deixam-se levedar durante 40 a 50 minutos.

Levam-se ao forno durante 20 minutos ou até ficarem dourados, estaladiços por fora e fofos por dentro.

Transferir para uma rede. Caso não sejam consumidos de imediato, podem-se colocar num saco hermético e congelar.




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